Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina. Ou não.
Tenho birra da frase “quem sabe faz, quem não sabe, ensina” porque ele tende a ser usado para justificar a ignorância. Mas tenho muito mais birra de quem o reforça. Quem está seriamente buscando se desenvolver pela via do conhecimento tem a obrigação de fazer valer o que sabe. Senão corre o risco de virar só mais um tolo pomposo, um pavão.
Ou melhor: um tolo pomposo não está seriamente buscando se desenvolver. Afinal, é um tolo. Quer falar, se achar, (se) enganar.
Neste caso, o cara chega, chama meio mundo de besta, diz que é o foda e, quando recebe a oportunidade do “então faz”, o resultado é decepcionante. E freqüentemente ele foge, deixa tudo uma zona e põe a culpa nos outros.
Quem nunca ouviu (ou viu) uma história assim?
E com isso, meu amigo, além do dano direto que causou com a zona que deixou para trás, gera um efeito colateral de reforçar o tal ditado. Daí, a resistência gerada a mudanças ou a alguma técnica queimada pelo pavão é terrível para o curió que busca o saber para fazer melhor.
Além de se matar na tal “busca” do “saber”, este pode ser simplesmente errado ou inadequado ao contexto. Também pode ser irrelevante frente a outros fatores que passaram batidos. Pode ser incompleto, exigir uma prática que ainda não tenha, etc. Horrível, e existem boas chances de você estar errado.
Mas a diferença principal entre os dois pássaros (pavão e curió) é que o segundo tende a perceber o erro e corrigir antes e sempre. Até acertar. E aí dá um passo à frente de quem continuou na mesma, achando que quem faz não precisa saber mais nada. E do pavão que só camufla.
Outro que pode sofrer as consequencias é quem ouviu os “ensinamentos” do pavão. Como ele (o pavão) não está comprometido em pôr seus conhecimentos à prova, é comum que se forme apenas um amontoado de coisas que não trazem nenhum diferencial real, mas seduz pelas aparências. Ou, mesmo que as idéias sejam bacanas, se reforça o mundo da fantasia. Ou seja, pavão que efetivamente não soube fazer não ensina, deseduca.
PS: uma perspectiva interessante relacionada a isso, mas aplicada a gurus ágeis está em Agile Ruined My Life.
Falta o link no “Agile Ruined My Life”, queridão! :-P
Diogo Baeder
September 9, 2011 at 8:42 am
Oops! Corrigido,obrigado.
gandralf
September 9, 2011 at 4:48 pm
[...] meu último post, Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina. Ou não., minha birra era com o pessoal que aumentava a resistência à inovação graças à uma [...]
O Crítico « Gandralf's Blog
September 12, 2011 at 7:09 pm