O Crítico
No meu último post, Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina. Ou não., minha birra era com o pessoal que aumentava a resistência à inovação graças à uma combinação ingrata de arrogância, ineficiência e objetivos questionáveis. E se, no meio de tudo isso, tivermos algumas idéias boas, pior ainda: elas ficam “queimadas”.
Mas o post foi superficial, sobre diversos pontos. Um deles é que é sobre arquétipos, não pessoas. De fato, a mesma pessoa pode se pegar assumindo um ou outro papel. E as motivações que levam as pessoas a agirem de uma forma ou de outra mal foram tocadas.
Por último, existem outros arquétipos envolvidos nesta história que não foram citados e podem ser mal interpretados, com o do crítico.
O termo “crítico” tem um apelo extremamente negativo para a maioria das pessoas. Ele é um chato e inútil. Ou incorpora a ácida piadinha do “Crítico é que nem eunuco, sabe como faz, vê fazerem todo dia, mas nunca fez nada”. E volta e meia é um insuportável Capitão Óbvio:

Por outro lado, existem coisas que tornam o crítico tolerável, como a idéia de que só a “crítica construtiva” deve ser feita. Ou se tornar um guia rápido e preguiçoso do que eu devo fazer: leio este livro, vejo este filme…
Não! Relembre um dos mais marcantes discursos do cinema, a crítica do Anton Ego em Ratatouille e veja se o grande crítico não tem o seu valor.
In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little, yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face, is that in the grand scheme of things, the average piece of junk is probably more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new. The world is often unkind to new talents, new creations. The new needs friends. Last night, I experienced something new; an extraordinary meal from a singularly unexpected source. To say that both the meal and its maker have challenged my preconceptions about fine cooking, is a gross understatement. They have rocked me to my core. In the past, I have made no secret of my disdain for Chef Gusteau’s famous motto, “Anyone can cook”. But I realize — only now do I truly understand what he meant. Not everyone can become a great artist, but a great artist can come from anywhere. It is difficult to imagine more humble origins than those of the genius now cooking at Gusteau’s, who is, in this critic’s opinion, nothing less than the finest chef in France. I will be returning to Gusteau’s soon, hungry for more.
Para o verdadeiro fã de cinema, críticas de pessoas como o Roger Ebert são um deleite. Boas críticas iluminam.
Mas é meio covarde comparar um crítico de cinema a um cineasta, pois os skills não diferentes. O crítico não precisa saber lidar com os trocentos atores envolvidos. O cineasta não precisa ser eloquente com as palavras de sua obra. E por aí vai. Mas todo crítico tem um pouco de cineasta e vice-versa.
O cineasta pode ser mais “completo”, mas isso em nada diminui o trabalho do bom crítico. Cada um cumpre seu papel.
O grande crítico também é apaixonado pelo assunto. Não há como negar. Talvez por isso ele detone tanto algo que, a seu ver, macule a sua paixão.
I don’t like food – I love it! And if I don’t love it, I don’t swallow.
Do lado do software, já conheci gente que eu colocaria para ensinar a aplicar determinadas práticas, mas não para desenvolver um projeto sem a coordenação adequada. Não sei o que que acontece. O cara se perde, inverte as prioridades, sei lá! Mas na hora de deixar o código claro, o cara é bom.
Têm potencial, mas precisam desenvolver seus outros skills. Senão, tornam-se vítimas de sua própria paixão. Foi por isso que destaquei a coordenação como fundamental. Senão ele se perde e, de alguém que tem uma visão técnica muito afiada, passa a um elemento que abala o time.
Linus, um grande artista e crítico
Agora, se o cara é só um crica chato que não tem nada de relevante para dizer, que vá catar coquinho.